O pulo do gato para viajar na alta do dólar

Todos os planos feitos, economias aplicadas e o dólar não para de subir, assim como o nosso desespero diante desta perspectiva. Um dólar alto significa que os reais acumulados valem menos e todos os passeios e compras e jantares inesquecíveis terão que ser reduzidos. A boa notícia é que existe um modo de amenizar as perdas durante a tendência de alta da moeda americana, segundo a Professora Myrian Lund, da Fundação Getúlio Vargas.

A conjuntura não deverá se alterar no médio prazo, portanto calcule bem suas despesas futuras na viagem. A melhor prática, claro, é economizar antes e levar moeda em espécie para pagar à vista. Afinal, tanto os saques no cartão de débito pré-pago no exterior quanto as compras feitas no cartão de crédito sofrem um acréscimo de 6,38% por conta da incidência do IOF. Porém, há gastos imprevistos que acabam caindo no cartão e, além do IOF, serão submetidos à cotação do dólar futuro. É neste momento em que se deve agir rápido.

Como driblar as perdas no câmbio

 O dólar continuará alto ou tende a subir. Se você já está com seus dólares comprados para uma viagem ao exterior, lindo, está precavida. Porém, claro, haverá aquelas compras irresistíveis. Você se planejou para gastar X por dia, mas aquela lingerie turquesa nas Galeries Lafayette não poderia continuar morando lá. Nem poderia deixar passar aquela cerâmica única no V&A. Aquele pôster detonado em um sebo no Soho ou aquela saia que “não se acha em nenhum lugar no Brasil”… Há sempre ótimas razões para se consumir, mas não conseguimos lembrar de nenhuma quando a fatura do cartão chega.

Para amenizar este momento de dor profunda, a professora de Finanças da FGV e consultora do web site de educação financeira Viva Plenamente, Myrian Lund, ensina uma medida simples e eficaz: calcule mais ou menos o quanto pretende extrapolar para além do seu orçamento básico de hospedagem, alimentação e transporte e faça um pagamento antecipado avulso do cartão de crédito. Quando suas despesas entrarem no cartão, elas cairão neste saldo e não na cotação do dólar do dia do fechamento da fatura. É como se fosse um colchão de segurança, você se resguarda da alta.

Na prática: você quer gastar o equivalente a R$ 3.000,00 no exterior. Faça um pré pagamento de R$ 3.000,00 numa fatura avulsa do seu cartão de crédito antes de viajar. Você abasteceu o cartão. No dia em que fizer uma compra, ela baterá neste saldo sob a cotação do dólar do dia da compra.

Mas qual a diferença desta operação para o uso do cartão de débito no exterior cujo saldo você carrega previamente (já que o uso de ambos gera a incidência do IOF)? Com o pagamento antecipado no crédito, acumulamos milhas. No cartão de débito não. E ainda há a vantagem extra de evitar o risco de sair com dinheiro em espécie por aí. “Não sei quanto tempo os bancos permitirão esta medida, mas é uma possibilidade de pagamento viável para o consumidor”, atesta a professora da FGV.

Porque o dólar sobe

Para entender o que se passa com a moeda norte-americana que oscilou na faixa dos R$ 2 durante anos, é preciso saber que há conjunturas negativas internas e externas agindo neste processo. No Brasil, como explica Myrian, o fato de o Governo não ter cumprido suas metas aumenta o risco de se fazer negócio com o país e, por conta disso, os investidores estrangeiros reduzem suas injeções de capital. “Estamos no limite da nota mínima de grau de investimento das agências de risco e a presidente aceitou a política idealizada pelo Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para não cair deste patamar”, avalia a professora.

Além disso, mesmo sem entrar na zona vermelha, o Brasil se tornou um país em que o volume de recursos diminuiu. Quanto mais dinheiro entra no país – esclarece a professora da FGV – mais dólares são trocados por real, o que valoriza a nossa moeda. Já se o movimento é contrário, existe uma evasão de recursos, as pessoas vendem o real para comprar dólar e aí o dólar se valoriza. E no momento atual, além dos investidores estrangeiros terem decidido puxar o freio, os investidores brasileiros resolveram diversificar suas aplicações destinando recursos para o exterior para proteger seu capital. Portanto, esse clima de incertezas por si só já impulsiona a moeda norte americana.

Já no âmbito externo, todos os países emergentes estão apresentando desaceleração em seu crescimento econômico e a Zona do Euro não alcançou a arrancada prevista. Esses fatos também fortalecem investimentos em dólar. Em resumo, o mundo inteiro está investindo em dólar, e ele está ficando mais forte perante todas as moedas não só perante ao Real. E ainda há a expectativa de o Federal Reserve (o Banco Central norte americano) aumentar a taxa de juros básica por lá. “A gente ainda vai ter muita volatilidade pela frente e quem precisa de dólar deve fazer compras esporádicas e evitar usar cartão de crédito, porque não há como garantir que a cotação estará menor na época do pagamento”, aconselha Myrian Lund.

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http://www.vivaplenamente.com.br

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