Cartão não habilitado, desespero dobrado

E então você embarca feliz! Fez as contas, separou o dinheiro para alimentação e o transporte. Guardou o do taxi para o aeroporto. Está economizando no dia a dia para não ter uma surpresa desagradável durante e depois da viagem. Mas não gostou do hotel reservado: cheiro de mofo, carpete mais velho que a Rainha da Inglaterra, banheiro escuro… you name it. Pesquisa no Booking.com e resolve se mudar para outro aparentemente décadas mais novo (as fotos são sempre ótimas).

Malas refeitas, check out e, na hora de pagar, o cartão não passa. Transação negada. “Cartão não habilitado para uso no exterior”, avisa seu banco por SMS. Imagina! Super fácil. Só habilitar pelo app do banco no celular. Quando vai finalizar… Sessão expirada. Repete uma, duas, três vezes. Então vamos pelo site. O banco não reconhece o computador em que você está, te envia um código de aprovação por SMS que nunca chega. Pensar, pensar… Ligar para a gerente, lógico. Toca, toca, toca. Liga para a agência. Toca, toca, toca. Liga para o sub gerente e toca, toca, toca. Liga pra sua mãe porque (quem sabe?) ela pode acessar o site do banco e acionar o comando: ninguém atende. Liga para o seu filho – que mantém a tradição e também não atende. Liga para o ex-marido e para a atual esposa para garantir. Nada.

Parece que houve uma pane regional nas telecomunicações do Hemisfério Sul e ninguém avisou.

Não está nas TVs, nos jornais… O que houve, meu Deus?!!!

Lá se vai quase uma hora nesse rosário e o recepcionista do hotel se mantém impassível à sua frente, com olhar incrédulo.

O dinheiro do dia a dia está contado. Nem pense em lançar mão dele porque depois como existir? O pagamento terá que vir de outra fonte. Tem dólares extras? Não? Vamos fazer um saque então. Onde há agências do seu banco no país. Não há? Ah! Eles atendem através de um banco que é o Bradesco local? Muito bem. Guarda a bagagem no maleteiro e sai à caça do banco perdido. Ao chegar, lógico, uma fila imensa. Você entra e passa o tempo inteiro, até a sua vez, rezando. Saca o dinheiro, esconde e tenta correr para o hotel (pero no mucho para não despertar suspeitas, lembra?).

Você paga. O funcionário só arqueia uma sobrancelha. Dá o recibo e por pouco não lhe faz pegar as malas sozinha. E pensar que uma única linha ausente de seu checklist pode fazer ruir o seu dia.

São 15h30.

 

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