Argentina, hoje? Leve dólares

Esqueça o cartão de crédito, o pré-pago e os reais que garantiam as horas difíceis

Está pensando em passar um fim de semana rápido em Buenos Aires, alguns dias, dar uma esticada ao vizinho Uruguai? Pois refaça suas contas. A desvalorização do Real no Brasil e as recentes altas e baixas em relação ao dólar diminuíram a aceitação da moeda brasileira na Argentina e, principalmente, praticamente eliminaram a vantagem de trocar Reais no paralelo e não no oficial, que vigorou durante muito tempo. Traduzindo: se antes o Real tinha uma ótima conversão em pesos no paralelo e era aceito em vários estabelecimentos comerciais, hoje esta situação mudou.

A princípio poderíamos simplificar e afirmar: leve apenas dólares, já que usando os Reais para comprar dólares no Brasil e trocando depois os dólares por pesos na Argentina você consegue mais pesos pelos seus Reais do que trocando os Reais diretamente por pesos. Principalmente se trocar os dólares no farto mercado paralelo de Buenos Aires. Para você ter uma ideia, hoje (14/05/15) enquanto o dólar era trocado no paralelo a 12,50, no oficial renderia apenas 8,94. Em 100 dólares a diferença de 356 pesos pode pagar dois jantares sem grandes pretensões. Mas para isso é bom conhecer as opções de troca e escolher a mais vantajosa e segura. Entenda:

  • Digamos que você queira gastar R$ 1.000,00 em despesas gerais na Argentina. Esse valor, trocado naquele país, lhe renderá 3.500 pesos.
  • Se você, ao contrário, trocar esses mil reais por dólares no Brasil, conseguirá US$ 333.
  • Se ao chegar na Argentina você trocar esses 333 dólares no câmbio paralelo, obterá 4.175, 82 pesos  – portanto, um ganho de 675, 82 pesos.

Em outras situações:

  • Se você optar por realizar qualquer compra em pesos no cartão de crédito, além de ter o valor da compra convertido não em reais, mas em dólares (e pelo câmbio oficial, portanto, elas se tornarão mais caras automaticamente), terá um acréscimo de 6,38% por conta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Ou seja, congele seu cartão até a volta.
  • Ou ainda, se pensando em segurança resolveu levar um cartão pré-pago, já cruzou a fronteira perdendo: tal e qual o uso do cartão de crédito, a compra de moeda estrangeira no cartão de débito pré-pago e os saques no exterior também pagam 6,38% de IOF. Além disso, na Argentina só é permitido sacar pesos nos caixas eletrônicos e o câmbio será o oficial, claro.

Portanto, são opções descartadas. Ficamos com a troca do dólar no paralelo. O único “detalhe” é que esse mercado, embora tenha cotação pública nos principais jornais e sites do país, é ilegal. Mas há alternativas para contornar a questão. Atente para a mais segura:

  1. Os arbolitos – Eles ficam enfileirados nas ruas do Centro (Lavalle, Florida) gritando “Cambio, cambio”. Há inclusive alguns brasileiros, o que torna a situação mais deprimente. Se na pressa você quiser trocar, saiba que corre o enorme risco de receber notas falsa e de ser assaltado, pois muitos esquemas de troca são duplamente desonestos e assim como fazem o câmbio enviam alguém para lhe seguir e roubar.
  2. As cuevas – Assim são chamados os estabelecimentos comerciais que têm uma atividade que nada tem a ver com o câmbio só para disfarçar ou fazem câmbio como atividade paralela: podem ser pequenas agências de turismo, papelarias, Rapipago ou Pago Fácil (funcionam como a nossa loteria, recebendo contas a pagar)… A questão é identificar uma cueva. Se você conhece alguém na cidade, pergunte. Qualquer argentino ou estrangeiro residente conhece algum “esquema”. Senão, apure com o hotel (e resista à tentação de trocar com eles, porque, embora seja sempre uma cotação melhor do que a oficial, é mais baixa do que a das cuevas) ou em outro estabelecimento onde você consumir algum serviço. O procedimento é: você entra e pergunta baixinho se a loja faz câmbio. Se fizer, você é encaminhado para uma sala nos fundos, escura e escondida – la cueva. A cotação desse câmbio paralelo varia de acordo com a cotação do dia, claro, mas também com a região, o dia da semana, a temporada, a quantia a ser trocada. Mas você pode usar como parâmetro a cotação do dólar paralelo (dólar blue) publicada no alto do site do jornal La Nación (www.lanacion.com.ar).
  3. O comércio – Antigamente efetuava o câmbio paralelo sem problema. Com as restrições cada vez mais rígidas da Administração Federal de Ingressos Públicos (a Receita Federal argentina) e a flutuação das moedas, muitas lojas deixaram de operar ou fazem isso com muito cuidado e câmbio desfavorável para o consumidor. Mas, dependendo da urgência, se você encontrar uma que concorde e não queira pagar só o que as casas da câmbio oferecem…
  4. Casas de câmbio – Sim, são seguras, claro. Mas o seu dinheiro vai valer bem menos. O dólar no câmbio oficial está a 8,94 pesos hoje (14/05/15). Ah! E a menos que você percorra várias e encontre uma às moscas, vai gastar muito tempo em fila.
  5. O argentino médio – Historicamente o argentino poupa na moeda forte, logo, sempre haverá um argentino gente como a gente querendo comprar seus dólares. Fazem uma cotação média e é bom para os dois lados. Apele para os conhecidos.
  6. O doleiro – Ah essa figura mítica do capitalismo latino-americano. Sim, eles são a opção mais vantajosa. Em geral têm melhor cotação do que as cuevas, muitos entregam em domicílio e não arriscam repassar moeda falsa porque sabem que isso pode arruinar seu negócio. A questão é: você está de passagem. Quanto tempo vai se dedicar a encontrar um doleiro? É mais difícil do que achar uma cueva.

Ou seja, se você pensou em se perder em Palermo, marcou aulas de tango e reservou um jantar naquele restaurante desconhecido, prepare-se para dedicar pelo menos uma manhã para resolver sua situação monetária. Mas quer saber? Uma experiência argentina sempre merece.

Para acompanhar as cotações:
http://www.v-dolar.com.ar/real-blue/
http://www.dolarblue.net
http://www.lanacion.com.ar/dolar-tarjeta-t50462

 

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